quinta-feira, 2 de julho de 2015

Jogos Imortais: S.L. Benfica 3 porto 1 (1986-1987)

Foi um enorme e imortal jogo de futebol, este que teve lugar numa época de viragem esta a de 1986/1987.
O Betão tinha-se imposto à qualidade desportiva (Chalana, Stromberg tinham sido vendidos para pagar o cimento em 1984)... Não era um caso de termos maus jogadores mas sim um caso em que grande parte dos jogadores estava a entrar no ocaso das suas carreiras.

Se Pietra, António Bastos Lopes (ambos ainda entraram na fotografia de plantel de início de época) e Nené já se tinham retirado, jogadores como Bento, Shéu e José Luís e Manniche estavam nos capítulos finais das suas carreiras (no Benfica). Diamantino, Veloso, Álvaro e Carlos Manuel eram os sobreviventes da era Eriksson.

Não esquecer que jogadores com perspectivas de os substituírem eram poucos e acabaram por não ser bem sucedidos: Edmundo, Samuel, Padinha, Nunes, Rui Pedro, Carlos Pereira e Wando. Ainda tínhamos Silvino que era o substituto de Bento e Rui Águas que era a esperança de futuro glorioso...
O início
Para esta época, o Benfica contratou jogadores como César Brito, Zivkovic, Dito, Tueba e Chiquinho. O primeiro só anos mais tarde encantou. O segundo nem se deu por ele. O central cometeu o erro da sua vida duas épocas depois, Tueba durou só uma época e Chiquinho só durou duas.

Era uma tarefa complicada quebrar a tendência de duas épocas consecutivas a ser segundos atrás do porto. A sorte é que... Mortimore era inteligente; Ainda havia matéria prima suficiente para que o Benfica apresentasse uma equipa relativamente competitiva e... O Benfica foi eliminado das provas europeias na segunda ronda... Um facto (o último) que me faz lembrar algo recente...

A época começa com um empate fora frente ao principal candidato (2-2). Temos depois uma sequência VEVVVVVV (varzim, marítimo, farense, elvas, boavista, guimarães, chaves, rio ave), que demonstrava que o Benfica não era bem uma equipa de coitadinhos. De seguida a sequência EVVV (salgueiros, académica, portimonenses e belenenses).
Ai ricas canelas... E só nós é que dávamos porrada! Tueba e Álvaro em acção.
Com treze jornadas, éramos líderes com dois pontos (25 no total) de avanço sobre o porto. O pior, ou talvez não, aconteceu na décima quarta jornada...

O Benfica foi a alvalade. Jogou relativamente bem mas acabou cilindrado por 7-1. O típico "cada-tiro-cada-melro". Coisas da vida que por vezes através de estranhos acontecimentos, acabam por nos fazer acordar.
O Benfica já não era líder isolado mas não desmoronou contra a vontade de muitos... Onde é que eu já vi/ainda vejo isto? Oitenta e três anos de história significam que o Benfica não era nenhum castelo de cartas.

Se bem que desconfie que Mortimore foi logo ali despedido, o certo é que equipa técnica e jogadores... E adeptos, ficaram unidos. O Benfica venceu o braga na jornada seguinte com o técnico Inglês a dar guia de marcha ao central Oliveira (que pagou a fava) substituindo-o por Edmundo... Tudo igual no topo: Benfica e porto com vinte e cinco pontos seguidos pelo surpreendente guimarães de marinho peres (cascavel, ademir, n'dinga) com vinte e quatro pontos!

Era chegado o momento do sim ou sopas.
Este era o jogo, que eu chamo do gatilho, frente a uma equipa com meia dúzia de caceteiros (já sem eurico, enorme central que se tinha lesionado na primeira volta) mas que no entanto tinha lá bem na frente alguns dos melhores executantes ofensivos do futebol daqueles tempos: Futre, Madjer e Gomes. Penso, e é a minha opinião, que Futre estava ainda em ascensão (para Madrid), que Madjer era muito bom mas que Gomes é que era o mais perigoso. Foi um grande avançado, um autêntico terror da grande área.

Tinha quinze anos de idade. Na província só as notícias gordas chegavam a horas pelo que encarei o jogo como o tudo ou fim. E assim foi no dia 4 de Janeiro de 1987.

Mortimore não pode contar com Samuel e Carlos Manuel e abdicou de jogar com dois avançados. O resto, podem ler aqui na crónica do verdadeiro jornal A Bola através das palavras de Carlos Pinhão, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio e, o naquela altura ainda virgem, vitor serpa. As fotos são do brilhante Nuno Ferrari. As fotos deverão ser vistas por inteiro para uma leitura optimizada: Botão direito do rato, copiem link para nova janela.
E foi Rui, o maior de todos:
Autor de três golos, dois de execução difícil com o pé direito pois tinha os caceteiros à perna e teve de ser rápido a arquitectar e certeiro a rematar; E o terceiro golo que se tornou a sua imagem de marca ao longo da carreira: Um golpe de cabeça, no meio da floresta de adversários, com trajectória impossível de corrigir pelo guarda-redes... Algo que não está ao alcance de qualquer um... Ainda hoje!
Foi nesta altura que conheci a expressão filho de peixe sabe nadar... O Rui não foi o José com toda a certeza mas foi Rui... Águas pois que a coisa era genética...

Altura para ver imagens com movimento. Do antes, do durante e do depois para que possam ter noção da importância desta partida... Sim, este foi um gatilho para uma dobradinha que só regressaria vinte e sete anos depois.
O jornal A Bola, escreveu na altura que tinham estado na Catedral cerca de 140 mil e que outras 20 mil tinham ficado à porta do estádio...
Pena que o programa da BTV (que serve de base a este vídeo) tenha diminuído a lotação... Trabalha quem pode - sabe quem sabe...

O cartoonista Francisco Zambujal, imortalizou o jogou neste fantástico cartoon:
Queixaram-se os azuis de que o Benfica fez jogo violento!!! Vendo os dados disponíveis sobre a época, só jaime pacheco ficou de fora no jogo seguinte... Futre, joão pinto e andré continuaram a jogar sem problemas... O presidente daquele clube já era um tretas!

Nessa mesma jornada, o tal clube que nos tinha goleado umas semanas antes...
Ganhou ao Benfica e de seguida perdeu com guimarães e chaves... Esta era a classificação depois desta jornada, não esquecer que na altura cada vitória valia dois pontos:
O Benfica ainda teve alguns percalços (empates) mas sagrou-se campeão nacional frente ao tal clube que lhe tinha infligido a tal derrota copiosa a 14 de Dezembro de 1986...

O Benfica venceu também a Taça de Portugal dessa época frente ao mesmo adversário... Tudo porque da união de todos, o Benfica tornou-se forte e derrotou o porto num jogo em que muitos pensavam que iríamos ser chacinados... Coisas da vida, quando ser forte não é uma opção mas sim uma característica inata.
Infelizmente, o técnico John Mortimore foi despedido... Tinha mais um ano de contrato, tinha ganho Campeonato e Taça de Portugal mas tinha perdido com o sporting... Isso era demais para algumas cabeças do Benfica (Gaspar Ramos e Fernando Martins):
Mas pela boca morre o peixe:
Um brinde a Mortimore:
PS: Dois dias antes deste jogo, no Estádio da Luz com o consentimento de Fernando Martins, aconteceu isto:
Os factos são os factos: Saiu Fernando Martins e vieram ainda antes de damásio, João Santos e Jorge de Brito. Com Santos e Brito, o Benfica ainda conquistava campeonatos com um ano (o máximo foram dois) de interregno.

Depois disto, e tenho de encontrar os jornais dessa altura, o porto introduziu as suas toupeiras na federação (os adrianos e os pintos)... E surgiram as classificações... Depois voltaram as nomeações... Agora, em princípio, vão voltar os sorteios...

E Pluribus UNUM

8 comentários:

  1. Foi realmente um ano glorioso.
    Lembro-me de algumas passagens e de outras nem tanto, mas são artigos como este que regam as papoilas saltitantes com camisolas berrantes.
    AMC - os meus parabéns. Dás mais ao BENFICA que muitos pseudo-encarnados.
    Um Abraço e continua.

    ResponderEliminar
  2. Por gosto. Nada mais do que isso. Cresci Benfica!

    Pena que sejam poucos a gostar de conhecer a história do clube... O Benfica não nasceu em 2000. ;)

    Saudações Gloriosas

    ResponderEliminar
  3. Esta terá sido a primeira época em que acompanhei o Benfica a par e passo.Apesar de ter muitas memorias das 2 ou 3 epocas anteriores,foi neste campeonato que comecei a ter uma atenção mais pormenorizada sobre o Glorioso.Ainda á pouco tempo o genial Diamantino afirmou que esta equipa foi a mais unida que encontrou no Benfica.Tenho a opinião que passávamos por uma fase de transição não só a nivel de plantel,mas também a nivel directivo.O grupo de trabalho juntava talento(Diamantino,Carlos Manuel,Rui Águas),mistica(Shéu,Veloso,Alvaro,Bento) e um conjunto de jogadores que não sendo do primeiro plano do nosso futebol,eram de grande utilidade e abnegação(Dito,Silvino,Nunes,Samuel,Oliveira,Edmundo,Chiquinho,Wando,Tueba ou Manniche).Mas era também um plantel que era o reflexo do desinvestimento desportivo a que Fernando Martins instaurára no clube desde 1984.Este jogo teve a particularidade de ter sido o que maior assistencia teve na antiga Catedral.Na equipa dos andrades destaco a imensa qualidade de Gomes,Madjer,Futre e do ausente neste jogo Sousa,contrabalançada com os toleirões de serviço João broas Pinto,quim,André e a dupla de Jaimes,sem esquecer os merdosos Artur Jorge e Octavio,liderados pelo avô da fernanda.Foi também a época em que o tecnico John Mortimore era constantemente assobiado pelos adeptos que o apelidaram de retranqueiro,um pouco á imagem do que aconteceu com Trappatoni.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tudo certo Alexandre, tudo certo.

      Saudações Gloriosas!

      Eliminar
    2. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

      Eliminar
    3. José Ferreira Nunes, de Coimbra, o comentário foi escrito pelo Alexandre! Corrija isso e volte a comentar.

      Eliminar
  4. Que réplica:)
    https://www.youtube.com/watch?v=TZncjAd_BvI

    ResponderEliminar

Ok digam o que bem entenderem.
Depois eu vejo